Hotel Rio Negro Lodge é suspeito de biopirataria
Náferson Cruz
Especial para o Amazonas EM TEMPO

Sábado, 18 de Abril de 2009, 12h25.

Uma operação conjunta entre a Receita Federal, Marinha do Brasil e o Ibama resultou na multa de R$ 2,7 milhões ao hotel de selva Rio Negro Lodge que mantinha um zoológico clandestino e um laboratório de biolologia pirata. O proprietário do hotel de selva Rio Negro Lodge é o norte-americano Philip Marsteller.

A operação aconteceu no período de 24 de março a 8 de abril na calha do rio Negro, próximo ao município de Barcelos, a 470 quilômetros de Manaus, mas somente agora foi divulgada pela Receita Federal.

Segundo o auditor fiscal da Receita Federal no Amazonas, Ricardo Pereira, o hotel foi alvo de investigação por conta dos produtos e máquinas importadas adquiridas pelo seu proprietário, além de manter em cativeiro animais silvestres, alguns em processo de extinção, em um pequeno zoológico.

“No laboratório havia vários microscópios e lâminas com insetos, raízes, flores e plantas da Amazônia. Ainda não sabemos o motivo das pesquisas que vinham sendo realizadas”, explicou o auditor fiscal.

Ele explicou que as mercadorias eram compradas de forma ilegal e que, há quatro anos, tramita na Justiça um processo de operação ilegal de compra de mercadorias contra o dono do hotel. “Ele sonegava o imposto e isso se caracterizava como contrabando”, afirmou Pereira.

O auditor fiscal informou, ainda, que em duas semanas foram apreendidas diversas lanchas, quadriciclos, centrais de ar-condicionado e motores de popa, avaliados em R$ 637 mil e aplicadas multas em vários empreendimentos hoteleiros num total de R$ 3,4 milhões.

Pereira acrescentou que do valor total de multas, a maior foi aplicada pelo Ibama. Além da multa direcionada aos empreendimentos hoteleiros daquela região, uma embarcação também foi multada no valor de R$ 730 mil por atuar clandestinamente na extração mineral.

De acordo com o chefe da Divisão, Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal no Pará, José Pereira de Barros, que também participou da ação, foram destacados 80 militares da Marinha, cinco servidores da Receita Federal do Brasil e quatro do Ibama, que tiveram o apoio logístico de dois navios de guerra da Marinha, além de um helicóptero para reconhecimento da área. “Esse tipo de operação deve continuar, mas com um aparato ainda mais eficaz de logística e com o apoio de outros órgãos”, adiantou Barros.

O superintendente do Ibama, Henrique Pereira, informou que o hotel foi multado por não ter licença de funcionamento, manter animais em cativeiro e uma marcenaria não autorizada. “O Ibama notificou o proprietário e pediu explicações sobre o material apreendido e para que fins estava sendo utilizado”, explicou.

Fonte: Amazonas EM TEMPO