Peixe ornamental contrabandeado da Amazônia é vendido por mil dólares no exterior

Sábado, 13 de Junho de 2009, 12h00.

A Polícia Federal e o Ibama investigam a utilização do estado do Amazonas como rota para o contrabando do Acari Zebra (Hypancistrus Zebra), um peixe ornamental endêmico da região Amazônica que chega a atingir o valor de US$ 1.000.00 cada unidade no ‘mercado negro’.

O peixe está na ‘lista vermelha’ do Ministério do Meio Ambiente das espécies que correm risco de extinção e sua captura ou venda são proibidos no Brasil.

O Acari Zebra é um peixe da família dos loricarídeos (cascudos) encontrado na natureza apenas na região do rio Xingu, nas proximidades do município paraense de Altamira. Tem o corpo esguio e sua principal característica são as listras pretas e brancas ao longo de seu dorso. Foi oficialmente catalogado em 1991 e de lá pra cá saiu da condição de ‘ilustre desconhecido’ para a de animal cobiçado no mercado internacional.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes Ambientais e Patrimônio Histórico (Delemaph) da Polícia Federal, Carlos André Gastão de Araújo, o Amazonas está sendo utilizado como rota de ‘escoamento’ desses animais. “Estamos investigando essa rota há algum tempo. Eles são capturados no rio Xingu e seguem para a Colômbia, de onde são exportados para países da Ásia, Europa e para os Estados Unidos”, diz Gastão.

Peru e Colômbia são maiores exportadores de peixes ornamentais de água doce do mundo e que, a fragilidade das leis ambientais dos países vizinhos facilita o contrabando.

Gastão afirma ainda que o contrabando de peixes ornamentais "via Estado do Amazonas" continua aquecido apesar do aumento das operações de fiscalização feitas pelo Ibama e pela Polícia Federal. “Esse é um crime muito difícil de reprimir. Por mais que nós aumentemos a rigorosidade, os contrabandistas seguem procurando as brechas”, diz.

Segundo o superintendente regional do Ibama no Amazonas, Henrique Pereira, o órgão também investiga essa rota desde 2003, quando ela entrou na lista dos animais em extinção. Entretanto, em dezembro de 2008, o Ministério do Meio Ambiente da Colômbia disse ter encontrado o animal sendo vendido no país. “O governo colombiano nos relatou que espécies desse peixe foram encontrados em lojas daquele país. Como eles são oriundos do Brasil, eles nos informaram e começamos a trabalhar nessa investigação”, disse Pereira.

A cidade colombiana de Letícia, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, é um dos entrepostos prováveis para o escoamento dos Acaris Zebra.

Para Jansen Zuanon, biólogo do Inpa, um dos fatores que complicam a fiscalização ao contrabando de peixes ornamentais no Brasil é a grande quantidade de espécies nativas. “Nós temos pelo menos umas 400 espécies de peixes cuja venda é proibida. É difícil os fiscais reconhecerem todos esses animais numa vistoria”.

O comércio de peixes ornamentais movimenta bilhões de dólares em todo o mundo e o Brasil é o responsável por 10% de todos os peixes exóticos capturados na natureza. O Amazonas, por sua vez, é responsável por 85% do total exportado pelo Brasil. Por ano, as exportações de peixes ornamentais amazonenses movimentam US$ 3,5 milhões.

Fonte: A Critica